Vôos Históricos
- A primeira travessia do canal da mancha
- O vôo do Zeppelin LZ104
- Em busca da estratosfera
- Hindenburg e Graf Zeppelin
A primeira travessia do canal da mancha
Após a grande aventura de conseguir voar, o próximo grande passo seria voar através do canal inglês. Em 1785, o francês Jean-Pierre Blanchard tentou efetuar tal travessia na companhia do Dr. John Jeffries, o primeiro americano a voar.
Está escrito que Blanchard tentou convencer Jeffries (que pagara mais de 700 libras pelas preparações da expedição) de que o balão não tinha capacidade suficiente para suportar ambos os passageiros. Jeffries, contudo, não foi enganado e persuadiu o francês a desfazer-se de seu cinto com pesos de chumbo.
Decolaram com um leve vento de noroeste e alcançaram a França em torno de 2 horas e meia após a decolagem, após lançarem ao mar todo seu lastro, a maior parte de suas roupas e todos os itens que estivessem soltos dentro do cesto, com exceção da primeira carta entregue por via aérea.
Seis meses após a travessia de Blanchard, de Rozier tentou o mesmo percurso de Boulogne para a Inglaterra, num aerostato que combinava ar quente com hidrogênio. O desenho fora uma prévia das naves que tentam as travessias oceânicas atuais, mas no lugar de Hélio, usava um gás inflamável. O desastre ocorreu quando algo incendiou o envelope. Em segundos, o balão foi consumido pelas chamas. Ambos, de Rozier e seu empregado, Romain, morreram no acidente. Assim, o primeiro homem a voar também foi a primeira vítima fatal de um acidente aéreo.
O vôo do Zeppelin LZ104
Provavelmente, o episódio mais conhecido e tomado por heróico com um Zeppelin durante uma guerra fora o vôo do Zeppelin LZ104.
Em novembro de 1917 a aeronave, sob o comando de Ludwig Bockholt, partiu carregando 16 toneladas de armamentos, víveres e correspondência em auxílio às tropas alemãs no Leste da África.
Fato desconhecido para a tripulação, as forças alemãs na África renderam-se enquanto a nave decolava. Problemas com o transmissor de rádio junto a tempestades elétricas locais mantiveram a tripulação alheia ao fato de que seu vôo era sem sentido.
Já se encontravam sobre a África quando recuperaram uma mensagem. A tripulação, mesmo cansada, trouxe a nave de volta, intacta, à sua base na Bulgária, tendo voado 4.040 milhas em 95 horas.
Em busca da estratosfera
Em 28 de junho de 1934, W.E. Kepner, A.W. Stevens e O.A. Anderson, a bordo do Explorer I alcançaram a altitude de 60.000 pés sobre o Nebraska. Na descida, o envelope desenvolveu um rasgo horizontal e o balão despencou dos céus. A tripulação conseguiu saltar, um a um, enquanto o tecido do balão desfazia-se no ar, e todos aterrissaram em segurança.
Finalmente, em 11 de novembro de 1935, Stevens e Anderson quebraram o então recorde de altitude, mantido pelos russos na marca de 72.128 pés, a bordo do gigantesco Explorer II, com 3.700.000 polegadas cúbicas de capacidade, atingindo a incrível altitude de 74.185 pés, marca que permaneceu intacta por 21 anos.
Eles decolaram de Strato-Bowl, em Dakota do Sul, o mesmo local em que, futuramente, ocorreria o primeiro vôo bem sucedido com um dos modernos balões de ar quente.
Hindenburg e Graf Zeppelin
O Hindenburg mais se assemelhava a um aeroporto do que a uma aeronave sendo, seguramente, a maior máquina voadora já construída. O seu objetivo era promover uma linha aérea comercial entre a Alemanha e Nova Iorque, enquanto o Graf Zeppelin, com metade de seu volume, teria o Brasil como destino.
Inicialmente, tudo ocorrera bem. O Hindenburg teve um total de 56 vôos, carregando 2.656 passageiros com o maior conforto possível. Sua nave irmã, o Graf Zeppelin, teve 650 vôos bem sucedidos, com um total de 620.000 milhas voadas e tendo carregado mais de 18.000 passageiros, sem nenhum acidente ou casualidade.
Em 4 de maio de 1937, o Hindenburg deixou Frankfurt com destino a New Jersey, sob o comando do experiente capitão Max Pruss. Depois de um vôo tranqüilo sobre o Atlêntico, devido a imprevistos com o tempo, ocorreu um atraso de 13 horas no pouso. Embora o procedimento ocorresse normalmente, subitamente chamas explodiram na parte traseira da aeronave que, consumida pelo fogo, despencou 18m até o solo. 62 das 97 pessoas a bordo se salvaram naquele que, até hoje, permanece como um dos acidentes mais misteriosos de toda história, com a teoria de que fora ocasionado por sabotagem ganhando força com o passar dos anos.
Fonte: Ballooning: The Complete Guide to Riding the Winds